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terça-feira, 7 de junho de 2016

MEDALHA DE OURO

“É do Brasil a medalha de ouro da corrupção”

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Em meio às saraivadas de delações premiadas que a imprensa desnuda a conta gotas, tirando a roupa de todos os reis da República, inclusive da própria presidente afastada, Dilma Rousseff, até antes do afastamento diretamente preservada, um dos três maiores jornais norte-americanos, o "The New York Times", dedicou mais um editorial ao Brasil.
O título do editorial é agressivo: "Brazil’s Gold Medal for Corruption”, que eu já vi mal traduzido, como “Medalha de ouro do Brasil para corrupção”, mas que, em tradução equivalente, verte-se como, “É do Brasil a medalha de ouro por corrupção”.
Embora o título do editorial possa sugerir um tratamento geral do assunto, o texto revela uma mensagem específica ao presidente interino, Michel Temer.
O editorial recapitula o ato falho de Temer em formar um “ministério inteiramente masculino e branco”, acusa-o de “empossar sete ministros investigados por corrupção” e fecha o texto duvidando que ele pretenda, mesmo, combater a corrupção e, caso pretenda, até onde pretende ir com isso.
O NYT acolhe que não somente o Brasil sofre com a corrupção ao Sul da América, mas assevera que, embora Dilma Rousseff sofra um processo de impeachment por “truques contábeis”, os escândalos de corrupção no seu governo contribuíram decisivamente para o seu afastamento.
Dado isso, o presidente interino Michel Temer, para afastar a pecha de que conspirou contra a presidente como parte de um acordo político que visaria estancar as investigações da Lava Jato, deveria tomar atitudes severas contra a corrupção, como defender “o fim da imunidade parlamentar para congressistas e ministros em casos referentes".
É fato que o NYT diz o óbvio no editorial, mas é fato, idem, que o sistema está tão imbricado em uma engrenagem mal fornida que emperra quaisquer mudanças que poderiam ser feitas para blindá-lo.
Temer está fazendo do Congresso, principalmente do Senado, de onde virá a sua permanência ou o seu despejo da presidência que hora porta interinamente, o seu cadafalso, pois caiu, quiçá, na mesma armadilha que todos têm pisado para subir a rampa: acordos “fisiopatrimonialistas” muito além do que pode entregar.
E já está mais do que provado que patrocinar esse tipo de coalizão, nesses termos baseada, é colocar, com as próprias mãos, uma corda no pescoço e ficar com apenas a ponta dos pés sobre um tamborete de apenas três pernas.

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