O desafio e as possibilidades do vereador Júnior Pires, caso aceite ser candidato a deputado federal


O fato político da semana foi, sem dúvida, a notícia sobre uma possível candidatura do vereador Júnior Pires a deputado federal, fato que pegou todos de surpresa, inclusive o próprio vereador.

Júnior foi convidado em Brasília, semana passada, quando esteve em reunião com o vice-governador do Pará, Zequinha Marinho, pré-candidato ao Senado, que é presidente no estado, do Partido Social Cristão, o PSC, ao qual o vereador é filiado.

Pode parecer estranho que ele tenha sido pego de surpresa, mas, foi exatamente isso que aconteceu, porque ele estava na tribuna quase terminando o seu discurso na sessão de terça-feira desta semana, quando o vereador Davi Salomão, que juntamente com o vereador Diego Mota, compôs o trio de representantes do legislativo itaitubense que foi à capital da República para tratar de assuntos de interesse do município.

Davi Salomão foi quem fez o comunicado, enfatizando que se trata de um bom nome, e que Itaituba se ressente de um legítimo representante na Câmara Federal, como foi o ex-deputado Dudimar Paxiúba.

Sempre rigoroso no cumprimento do tempo de dez minutos que cada vereador dispõe para usar na tribuna, Júnior permitiu deixar que os diversos colegas que pediram apartes se manifestassem. E todos exaltaram suas virtudes e a oportunidade que se apresenta à sua frente.

Sua intenção era, primeiro, ouvir a família, a igreja na qual congrega, a Assembleia de Deus, da qual teve grande apoio em sua eleição, e amigos próximos, para pode ser manifestar, mas, já que o assunto veio a público, nada mais resta a fazer do que ouvir quem tem que ser ouvido e depois decidir o que fazer da vida.

As possibilidades – Como diz o ditado que parece meio sem sentido num primeiro momento, “uma coisa é uma coisa, e outra coisa é outra coisa”. Faz muito sentido.
Uma coisa é um pré-candidato lançar-se açodadamente em uma campanha sem saber aonde quer e pode chegar; outra coisa é fazer um planejamento bem elaborado, factível, que lhe permita tomar uma decisão madura, responsável, evitando entrar de qualquer jeito em uma aventura que não é brincadeira de criança.

Pela vivência que tenho nos bastidores da política, costumo ser consultado por políticos com mandato e por postulantes a cargos eletivos, exatamente sobre situações parecidas com essa que Júnior Pires encara.

No caso dele, vereador de primeiro mandato, algumas ponderações devem ser levadas em consideração, uma vez que, dependendo do resultado final de um projeto ousado como esse, o político poderá, tanto sair fortalecido para encarar outros projetos eleitorais, quanto poderá sair enfraquecido até para enfrentar uma campanha de reeleição. E tudo dependerá de quantos votos vai ter, se for candidato.

Não será uma decisão fácil porque, a mesma igreja que pode impulsionar sua candidatura é a igreja que talvez tenha dificuldades para fazer isso, pois, a estrela maior do PSC na eleição para a Câmara dos Deputados deve ser a deputado Júlia Marinho, que vai tentar a reeleição. Além disso, o mais provável é que a Assembleia de Deus tenha muitos outros candidatos ao mesmo cargo, em diferentes municípios, o que implica em dizer que cada um tentará convencer as congregações de perto onde milita a votar nele.

Esse é um fator que Júnior precisa levar muito em conta.

Se o objetivo de Zequinha Marinho é engrossar o caldo de sua candidatura a senador da República e, consequentemente, aumentar ao máximo o número de votos para sua legenda para deputado federal para tentar fazer mais de um deputado, ele precisa ser claro e verdadeiro com aqueles que ele convida para disputar a próxima eleição.

Ser verdadeiro significa dizer aos pré-candidatos, quais são as verdadeiras chances de cada um. Isso é possível, pois, embora ele não tenha bola de cristal para afirmar quem vai ou não se eleger, ou quantos votos cada terá, tem experiência de sobra e conhece bem a realidade de cada um dos que ele está chamando para a luta. Se não fizer isso, agirá como os demais políticos. E, sendo uma liderança incontestável da Assembleia de Deus, por respeito aos princípios que prega, não será correto omitir a verdade.

Quanto ao que poderá acontecer com uma possível candidatura de Júnior Pires, dependerá do tamanho de suas pernas para fazer campanha, e de sua competência para convencer eleitores de fora de seu ciclo religioso a votarem nele, levando sempre em consideração, que eleger-se será uma missão árdua. Sem esquecer que, será fundamental fazer uma campanha com o objetivo de ter uma grande votação, conquanto o político vale a quantidade de votos que ele tem na eleição.

Se deve, ou não, aceitar o convite, ele deve pesar os prós e os contras para decidir.

Jota Parente - Editor responsável

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